{"id":3513,"date":"2026-09-28T11:50:23","date_gmt":"2026-09-28T11:50:23","guid":{"rendered":"https:\/\/clevidence.pt\/?p=3513"},"modified":"2026-09-29T10:50:35","modified_gmt":"2026-09-29T10:50:35","slug":"analise-de-impacto-orcamental-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clevidence.pt\/pt-pt\/analise-de-impacto-orcamental-em-portugal\/","title":{"rendered":"An\u00e1lise de impacto or\u00e7amental em Portugal: o que espera o INFARMED"},"content":{"rendered":"<p>A an\u00e1lise de impacto or\u00e7amental (AIO) estima as consequ\u00eancias financeiras da ado\u00e7\u00e3o de uma nova tecnologia de sa\u00fade num or\u00e7amento concreto, num per\u00edodo curto.<\/p>\n<p>Em Portugal, faz parte da evid\u00eancia que o INFARMED considera ao decidir se uma tecnologia \u00e9 financiada pelo Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade (SNS). Responde a uma pergunta pr\u00e1tica de quem paga. Se esta tecnologia for adotada, quanto mais (ou menos) vai o SNS gastar nos pr\u00f3ximos anos?<\/p>\n<p>A an\u00e1lise de impacto or\u00e7amental complementa a an\u00e1lise de <a href=\"https:\/\/clevidence.pt\/pt-pt\/qual-e-a-diferenca-entre-a-analise-de-custo-eficacia-e-a-analise-de-impacto-orcamental\/\">custo-efetividade<\/a>, mas n\u00e3o a substitui. A custo-efetividade pergunta se a tecnologia tem uma boa rela\u00e7\u00e3o entre custo e benef\u00edcio. O impacto or\u00e7amental pergunta se o sistema a consegue suportar. Explicamos a diferen\u00e7a com mais detalhe <a href=\"https:\/\/clevidence.pt\/pt-pt\/qual-e-a-diferenca-entre-a-analise-de-custo-eficacia-e-a-analise-de-impacto-orcamental\/\">neste artigo sobre custo-efetividade e impacto or\u00e7amental<\/a>.<\/p>\n<h2>O que compara um modelo de impacto or\u00e7amental?<\/h2>\n<p>Um modelo de impacto or\u00e7amental compara dois cen\u00e1rios para a mesma popula\u00e7\u00e3o e o mesmo horizonte temporal.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Cen\u00e1rio atual.<\/strong> Como os doentes s\u00e3o tratados hoje, com a combina\u00e7\u00e3o atual de tratamentos e os respetivos custos.<\/li>\n<li><strong>Cen\u00e1rio novo.<\/strong> Como os doentes seriam tratados depois da ado\u00e7\u00e3o da nova tecnologia, com a utiliza\u00e7\u00e3o prevista.<\/li>\n<\/ul>\n<p>O impacto or\u00e7amental \u00e9 a diferen\u00e7a entre os custos totais dos dois cen\u00e1rios, ano a ano.<\/p>\n<h2>O que espera o INFARMED de uma an\u00e1lise de impacto or\u00e7amental?<\/h2>\n<p>As Orienta\u00e7\u00f5es Metodol\u00f3gicas para Estudos de Avalia\u00e7\u00e3o Econ\u00f3mica de Tecnologias de Sa\u00fade, publicadas pelo INFARMED em 2019, t\u00eam uma sec\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria sobre a an\u00e1lise de impacto or\u00e7amental. Os pontos principais s\u00e3o estes.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Perspetiva do SNS.<\/strong> A an\u00e1lise tem de adotar a perspetiva do SNS. Se for relevante, pode tamb\u00e9m considerar-se a perspetiva do Estado, por exemplo quando a doen\u00e7a tem custos ou poupan\u00e7as para a Seguran\u00e7a Social, mas os resultados t\u00eam de ser apresentados separadamente para o SNS e para os restantes setores do Estado.<\/li>\n<li><strong>Os mesmos comparadores da avalia\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica.<\/strong> O cen\u00e1rio atual tem de incluir os custos dos comparadores selecionados na avalia\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica.<\/li>\n<li><strong>Cen\u00e1rios de substitui\u00e7\u00e3o realistas.<\/strong> Quando a nova tecnologia substitui ou complementa a pr\u00e1tica atual, devem apresentar-se cen\u00e1rios transparentes sobre essa substitui\u00e7\u00e3o, incluindo a ado\u00e7\u00e3o pelos profissionais de sa\u00fade e a ades\u00e3o dos doentes.<\/li>\n<li><strong>Doentes prevalentes e incidentes.<\/strong> A popula\u00e7\u00e3o eleg\u00edvel tem de incluir os doentes atuais a tratar, com base na preval\u00eancia, e os novos casos esperados, com base na incid\u00eancia. Estas estimativas t\u00eam de ser coerentes com a indica\u00e7\u00e3o aprovada e com a avalia\u00e7\u00e3o farmacoterap\u00eautica.<\/li>\n<li><strong>Horizonte temporal curto.<\/strong> A an\u00e1lise serve para o planeamento or\u00e7amental de curto prazo, por isso o horizonte \u00e9 limitado, em regra a cerca de dois anos, e n\u00e3o se aplica atualiza\u00e7\u00e3o (desconto).<\/li>\n<li><strong>S\u00f3 custos relevantes.<\/strong> Os custos de produtividade ficam de fora. Os custos fixos com pessoal ou equipamento ficam de fora se existirem mesmo sem a nova tecnologia. Os custos da nova tecnologia t\u00eam de ser apresentados em separado.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Quando n\u00e3o h\u00e1 dados emp\u00edricos para quantificar um par\u00e2metro no contexto portugu\u00eas, as orienta\u00e7\u00f5es permitem recorrer \u00e0 elicita\u00e7\u00e3o estruturada de peritos, desde que os peritos sejam identificados e os potenciais conflitos de interesse declarados.<\/p>\n<h2>Que dados precisa um modelo de impacto or\u00e7amental?<\/h2>\n<ul>\n<li><strong>Popula\u00e7\u00e3o eleg\u00edvel.<\/strong> Epidemiologia, registos, dados administrativos e, em \u00faltimo caso, opini\u00e3o de peritos, sempre coerentes com a indica\u00e7\u00e3o aprovada.<\/li>\n<li><strong>Quotas de mercado e ado\u00e7\u00e3o.<\/strong> A combina\u00e7\u00e3o atual de tratamentos e a rapidez com que se espera que a nova tecnologia seja adotada.<\/li>\n<li><strong>Custos dos tratamentos.<\/strong> Aquisi\u00e7\u00e3o, administra\u00e7\u00e3o e monitoriza\u00e7\u00e3o, com fontes oficiais portuguesas.<\/li>\n<li><strong>Utiliza\u00e7\u00e3o de recursos de sa\u00fade.<\/strong> Consultas, internamentos, exames e gest\u00e3o de acontecimentos adversos, de acordo com a pr\u00e1tica cl\u00ednica em Portugal.<\/li>\n<li><strong>Dura\u00e7\u00e3o do tratamento e descontinua\u00e7\u00e3o.<\/strong> Quanto tempo os doentes ficam em cada tratamento.<\/li>\n<\/ul>\n<h2>Adaptar um modelo global a Portugal<\/h2>\n<p>Muitas empresas partem de um modelo de impacto or\u00e7amental global, constru\u00eddo para outro pa\u00eds. Adapt\u00e1-lo a Portugal exige normalmente mais do que mudar os pre\u00e7os.<\/p>\n<p>Os percursos terap\u00eauticos, a utiliza\u00e7\u00e3o de recursos, a popula\u00e7\u00e3o eleg\u00edvel e os comparadores diferem muitas vezes do contexto original. Se estes pressupostos n\u00e3o forem adaptados, os resultados podem n\u00e3o ser cred\u00edveis para o INFARMED nem para os decisores hospitalares.<\/p>\n<p>Uma boa adapta\u00e7\u00e3o rev\u00ea a estrutura e a l\u00f3gica do modelo, substitui os dados cl\u00ednicos e de custos por dados portugueses, valida os pressupostos com peritos cl\u00ednicos nacionais quando falta evid\u00eancia e testa o modelo a fundo antes da submiss\u00e3o.<\/p>\n<h2>Erros frequentes<\/h2>\n<ul>\n<li>Uma popula\u00e7\u00e3o eleg\u00edvel que n\u00e3o corresponde \u00e0 indica\u00e7\u00e3o aprovada nem \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o farmacoterap\u00eautica.<\/li>\n<li>Comparadores no modelo de impacto or\u00e7amental diferentes dos da an\u00e1lise de custo-efetividade.<\/li>\n<li>Pressupostos de ado\u00e7\u00e3o demasiado otimistas ou sem justifica\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Custos de outros pa\u00edses em vez de fontes oficiais do SNS.<\/li>\n<li>Horizontes temporais demasiado longos para uma ferramenta de planeamento or\u00e7amental.<\/li>\n<li>Nenhuma an\u00e1lise de cen\u00e1rios ou de sensibilidade aos par\u00e2metros que determinam o resultado.<\/li>\n<\/ul>\n<h2>Perguntas frequentes<\/h2>\n<h3>Qual \u00e9 o horizonte temporal de uma an\u00e1lise de impacto or\u00e7amental em Portugal?<\/h3>\n<p>As orienta\u00e7\u00f5es do INFARMED limitam-no, em regra, a cerca de dois anos, porque a an\u00e1lise serve para o planeamento or\u00e7amental de curto prazo.<\/p>\n<h3>A an\u00e1lise de impacto or\u00e7amental \u00e9 o mesmo que a an\u00e1lise de custo-efetividade?<\/h3>\n<p>N\u00e3o. A an\u00e1lise de custo-efetividade compara custos e resultados em sa\u00fade para avaliar a rela\u00e7\u00e3o entre custo e benef\u00edcio. A an\u00e1lise de impacto or\u00e7amental estima apenas as consequ\u00eancias financeiras da ado\u00e7\u00e3o da tecnologia para o SNS.<\/p>\n<h3>Pode usar-se a opini\u00e3o de peritos num modelo de impacto or\u00e7amental?<\/h3>\n<p>Sim, quando n\u00e3o h\u00e1 dados emp\u00edricos para o contexto portugu\u00eas. Deve ser recolhida num processo estruturado de elicita\u00e7\u00e3o, com os peritos identificados e os conflitos de interesse declarados.<\/p>\n<h2>Em resumo<\/h2>\n<p>A an\u00e1lise de impacto or\u00e7amental \u00e9 uma das pe\u00e7as mais pr\u00e1ticas de um pedido de financiamento. Traduz a ado\u00e7\u00e3o de uma nova tecnologia em n\u00fameros com que o pagador consegue planear. Para ser cred\u00edvel em Portugal, precisa da perspetiva do SNS, de dados portugueses e de pressupostos coerentes com o resto do dossi\u00ea.<\/p>\n<p>A Clevidence desenvolve e adapta modelos de impacto or\u00e7amental e de custo-efetividade para o contexto portugu\u00eas. Veja como <a href=\"https:\/\/clevidence.pt\/pt-pt\/validacao-dos-pressupostos-dos-modelos-de-avaliacao-economica-atraves-de-elicitacao-por-painel-de-peritos\/\">valid\u00e1mos os pressupostos de um modelo de impacto or\u00e7amental com peritos cl\u00ednicos portugueses<\/a> e como <a href=\"https:\/\/clevidence.pt\/pt-pt\/adaptar-uma-calculadora-de-custos-para-apoiar-o-acesso-ao-mercado-em-portugal\/\">adapt\u00e1mos uma calculadora de custos ao SNS<\/a>, ou conhe\u00e7a os nossos <a href=\"https:\/\/clevidence.pt\/pt-pt\/economia-da-saude-e-investigacao-de-resultados-heor\/\">servi\u00e7os de economia da sa\u00fade e investiga\u00e7\u00e3o de resultados<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A an\u00e1lise de impacto or\u00e7amental (AIO) estima as consequ\u00eancias financeiras da ado\u00e7\u00e3o de uma nova tecnologia de sa\u00fade num or\u00e7amento concreto, num per\u00edodo curto. Em Portugal, faz parte da evid\u00eancia que o INFARMED considera ao decidir se uma tecnologia \u00e9 financiada pelo Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade (SNS). Responde a uma pergunta pr\u00e1tica de quem paga. 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